Uma das primeiras coisas que pedimos nas empresas que acompanhamos são as demonstrações financeiras.
Normalmente, as demonstrações financeiras que nos são disponibilizadas são o Balanço e a Demonstração de Resultados. No entanto, uma das peças mais importantes para perceber o funcionamento da empresa é a Demonstração de Fluxos de Caixa.
Uma vez que não é obrigatória para algumas empresas, a Demonstração de Fluxos de Caixa não é disponibilizada com as restantes demonstrações financeiras. Na maior parte das vezes nem é feita pela contabilidade, o que faz com que a empresa fique muito admirada quando lhe é solicitada.
Na verdade, a Demonstração de Fluxos de Caixa é a única forma que temos de perceber o acontece com o dinheiro dentro da empresa. Quanto entra, de onde vem, quanto sai e para onde vai.
Existem duas formas de construir a Demonstração de Fluxos de Caixa, quanto ao seu método:
- O método directo, que regista cada uma das transações de entrada e saída de dinheiro;
- O método indirecto, que apura os fluxos de caixa a partir da demonstração de resultados e de diferenças de saldos de determinadas rubricas do balanço do período corrente e do período anterior.
Na prática, o método directo regista todos os movimentos efectuados pela empresa por caixa ou bancos, enquanto o método indirecto recorre aos movimentos contabilísticos e não aos extractos bancários.
É sempre preferível utilizar o método directo, uma vez que fornece mais informação e mais organizada. A Demonstração de Fluxos de Caixa preparada pelo método directo organiza os recebimentos e pagamentos em três categorias:
- Fluxos de caixa operacionais: os que dizem respeito às operações correntes da empresa. Neste grupo encontramos os recebimentos e pagamentos de clientes e a fornecedores, assim como os pagamentos aos colaboradores, impostos directos, entre outros pagamentos respeitantes à actividade operacional;
- Fluxos de caixa das actividades de investimento: onde temos os valores que a empresa investiu e desinvestiu em activos durante o período;
- Fluxos de caixa relativos a actividades de financiamento: onde podemos analisar as entradas e saídas de dinheiro que dizem respeito a financiamentos da empresa, podendo ser financiamentos próprios (por ex.: suprimentos, prestações suplementares de capital) ou alheios (por ex.: empréstimos bancários, leasing).
Se a Demonstração de Fluxos de Caixa pode ser uma excelente ferramenta para nos explicar de que forma o dinheiro circulou dentro da empresa no passado, pode ainda ser de maior ajuda para prevermos os nossos fluxos de caixa para o futuro.
Em todas as empresas com que trabalhamos propomos a utilização de demonstrações de fluxos de caixa previsionais, tentando fazer uma previsão das entradas e saídas de dinheiro durante o mês e percebendo onde vamos ter excesso ou necessidades de tesouraria, podendo antecipar as necessidades de financiamento, caso as haja.
Como sabemos, uma empresa pode continuar a operar por um período de tempo indeterminado com prejuízos, mas no dia em que deixa de ter dinheiro disponível para financiar as suas operações, tudo pára.
Mas na maioria das empresas acontece o contrário, ano após ano apresentam lucros, mas nunca existe dinheiro suficiente na conta bancária para fazer os pagamentos necessários.
É por essa razão que devemos olhar com muito cuidado para a nossa Demonstração de Fluxos de Caixa.
A Demonstração de Resultados é construída de acordo com princípios contabilísticos muitas vezes difíceis de compreender. A Demonstração de Fluxos de Caixa, pelo contrário, regista simplesmente o fluxo do dinheiro. É muito mais fácil compreender esta informação e, no limite, bastaria analisar o saldo das contas bancárias da empresa no início e fim do período para se chegar ao fluxo líquido de tesouraria.
Por esta razão, alguns defendem que a tributação das empresas deveria incidir sobre o fluxo de caixa em vez de incidir sobre o lucro contabilístico, como acontece no nosso país.
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